Mudança de hábitos

No final de semana eu e o marido fomos para São Paulo. Eu aproveitei que ele ia encontrar os amigos e sai com minha mãe. Começamos a conversar sobre minha vida, sobre como estou me saindo bem em casa e na cozinha. Eu concordo em partes.

Eu era uma pessoa que não tinha contato algum com tarefas domésticas. No máximo eu lavava e passava minha roupa e lavava a louça, as vezes eu dava uma limpada no meu quarto. Mas era isso. Cozinhar? Não sabia fazer nada, nem miojo, nem ovo frito, nem bolo pronto, daqueles de saquinho. Eu sempre trabalhei e estudei ao mesmo tempo, o que me deixava sem tempo para tarefas domésticas e para culinária, com o diferencial de que, na casa da minha mãe, sempre tivemos faxineira ou diarista e sempre tinha comida congelada no freezer, nas poucas vezes que eu não comia na rua, só colocava a comida no forno e torcia pra não esquecer e ela queimar.

Quando me mudei e fui morar com o Rafael as coisas começaram a ser diferentes. Eu ainda trabalhava e estudava ao mesmo tempo, ainda comia na rua e comprava comida congelada, mas nós não tínhamos dinheiro para contratar uma faxineira ou diarista para cuidar das tarefas domésticas. Então, basicamente, eu tirava um dia do final de semana, geralmente de 15 em 15 dias, para fazer faxina na casa. As outras tarefas domésticas a gente se virava como podia: lavava a roupa quando chegava mais cedo da faculdade, tirava o lixo de manhã quando saia, tudo na correria. Ou seja, eu não me preocupava se tudo ficava lindo, não me importava em encontrar melhores formas de limpar e/ou formas mais econômicas e, com certeza, não me preocupava em aprender a cozinhar.

Mas tudo isso mudou depois que eu me formei e parei de trabalhar para me mudar para o interior com meu marido. Como eu não estava trabalhando, achei que seria injusto ele ter que dividir tarefas domésticas comigo, em especial o cozinhar. Quando morávamos em São Paulo, o nosso combinado era que ele cozinharia e eu lavaria a louça, mas com ele trabalhando e eu não, achei que esse acordo não deveria mais valer. Então comecei a ter mais tempo para limpar e cuidar da casa e aprender a cozinhar e foi o que eu fiz.

De início, comecei a dividir as tarefas nos dias da semana para que eu pudesse manter tudo limpo sem abusar muito das minhas limitações. Mas, eu ainda não tinha aquela vontade de pesquisar, de descobrir métodos e produtos novos. Eu limpava tudo com Veja e tava ótimo. Lavava e passava de qualquer jeito e, se não parecia que tinha saído da máquina naquele momento, também já estava de bom tamanho. As comidas eu comecei com livro de receita, pegando as mais simples e bobinhas, porque eu estava aprendendo do zero, né? E nessa fase eu ainda usava alguns ingredientes prontos e congelados, para facilitar.

Mas eu tinha – e ainda tenho – muito tempo livre, o que me permitiu começar a ler mais blogs de organização, de limpeza e de decoração. Comecei a tomar gosto por isso e a limpeza com Veja apenas já não me satisfazia. Eu queria meu chão brilhando, queria aquele cheirinho bom de limpeza pela casa, queria tudo organizado e fácil de encontrar e a limpeza superficial já não fazia isso por mim. Da mesma maneira foi com a comida: eu queria fazer um jantar que meu marido amasse e me pedisse para repetir, sabe? Então comecei a pesquisar e testar produtos novos, o vinagre e o bicarbonato viraram grandes companheiros de limpeza, o detergente virou coringa e comecei a só usar ingredientes frescos nos meus pratos. Além disso, comecei a cultivar uma pequena horta.

Minha horta começou com um vaso de lavanda que minha sogre querida me deu de presente. Depois, vieram os ramos de manjericão roxo, salsinha, cebolete, alecrim e hortelã. Não achando suficiente, plantei salsão, cebolinha, manjericão, manjericão basílico, orégano, tomilho e erva doce. Mais tarde ganhei um vaso de uma espécie de samambaia suculenta da minha sogra. E eu adoro minha horta. Por mais que eu não use todos os temperos o tempo todo, só tê-los já é uma terapia. Gosto de cuidar, de mexer, de cortar, de regar. E ver as plantinhas crescendo me enche de orgulho e de felicidade.

Atualmente eu já consegui definir minha rotina de limpeza de forma mais prática e menos cansativa (vou fazer um post sobre isso no futuro), com produtos mais baratos e que rendem melhor. Além disso estou bem mais confiante na cozinha, não apenas para seguir receitas, mas por vezes inventar as minhas próprias, trocando e variando nos ingredientes. Não é fácil. É preciso tempo, determinação e vontade. Eu não acordo com aquele ânimo para limpar a cozinha, mas é um trabalho que tem que ser feito. É chato? Pode ser. É cansativo? Pra caramba. Mas, convenhamos, não dá um bem estar danado terminar a faxina, ver tudo brilhando e sentir aquele cheirinho de limpeza?

E vocês? Também tiveram uma adaptação difícil? Como vocês conseguiram superar as dificuldades? Conta pra mim!

Até a próxima!

Fernanda

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2 comentários sobre “Mudança de hábitos

  1. Fe…. depois de 23 anos de casada… a percepção muda por completo… sua vontade de deixar tudo brilhando, fazer coisas diferentes desaparece… a rotina cansa e acaba com tudo.Por isso Fe não deixe de trabalhar fora, pq uma hora isso tudo vai virar uma repetição sem fim e vc vai ver que consegue conciliar tudo trabalho, casa, filhos….bjs

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    • Tia, eu pretendo trabalhar, não necessariamente fora, já que logo queremos filhos e quero ficar em casa pra cuidar (não quero deixar com babá ou empregada, porque eu cresci assim e sei como elas “cuidam” das crianças).
      Por enquanto meus focos são outros. Vou deixar o futuro para o futuro 😉

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